Bankinter com resultados de 317 milhões de euros em 2020, com forte crescimento do negócio num exercício de grande incerteza

21/01/2021
  • As fortes provisões para prevenir a deterioração macroeconómica e a comparação com as receitas extraordinárias de 2019 levam a uma queda no resultado de 42,4% em relação ao ano anterior.

  • O aumento da atividade de negócio traduz-se em crescimentos em todas as rubricas: 6,8% na margem de juros; 3,6% na margem bruta, fruto do bom desempenho ao nível de comissões; e 4,5% na margem de exploração antes de provisões.

  • O Bankinter termina o ano com uma rentabilidade dos capitais próprios, ROE, de 7% e um rácio de capital CET1 fully loaded de 12,3%, muito acima do mínimo de 7,7% exigido pelo BCE.

  • Bankinter Portugal reforça crescimento do negócio com clientes, com a carteira de crédito a crescer 7% e os recursos de clientes a crescerem 6%. Resultados antes de impostos são de 45 milhões de euros.

21/01/2021. O Grupo Bankinter termina 2020 com resultados que, apesar da complexidade de um exercício marcado pelo impacto da pandemia, mostram crescimento em todas as rubricas e nas principais linhas de negócio. Ao mesmo tempo, o Banco mantém a liderança entre os bancos cotados em termos de rentabilidade e qualidade dos ativos e com uma solvência reforçada que continua a estar muito acima das exigências regulatórias do BCE.

O resultado da atividade bancária recorrente é de 473 milhões de euros, 13,2% inferior ao de 2019.

Não obstante, o Banco constituiu em 2020 provisões no montante de 242,5 milhões de euros para antecipar o agravamento da situação macroeconómica, que levam a que o resultado antes de impostos da atividade bancária se reduza para 230,5 milhões de euros, menos 62% do que em 2019. Esta redução deve-se quer às referidas provisões, quer à ausência em 2020 das receitas extraordinárias que a instituição registou em 2019 com a compra da EVO.

Por seu turno, o resultado antes de impostos da Línea Directa, que se apresenta separadamente da atividade bancária, atingiu 179,6 milhões de euros, mais 25,7% do que há um ano.

Com tudo isto, o resultado líquido do Grupo Bankinter em 2020 foi de 317,1 milhões de euros, menos 42,4% do que em 2019.

Entre os principais rácios, a rentabilidade dos capitais próprios, ROE, mantém-se em 7%. Sem ter em conta o impacto das provisões extraordinárias, o ROE da instituição seria de 10,8%.

Da mesma forma, o Bankinter reforça a solvência, com um rácio de capital CET1 fully loaded de 12,3%, face ao mínimo de 7,7% exigido pelo BCE em função do tipo de negócio desenvolvido pela instituição e dos níveis de morosidade.

Neste capítulo, cabe destacar que o rácio de morosidade mantém a tendência decrescente há vários anos, situando-se atualmente em 2,37%, o que compara com o valor de 2,51% em 2019, ou seja, quase metade da média do setor. Por sua vez, a cobertura da morosidade cresce significativamente, passando de 48,4% no final de 2019 para 60,5% em 2020.

Quanto à liquidez, pela primeira vez o Bankinter termina um ano com um gap comercial negativo, com um rácio de depósitos sobre créditos de 103,2%.

Por sua vez, os vencimentos previstos para 2021 são de 200 milhões de euros, a que se somam 1.000 milhões de euros em 2022. Para fazer face a estes compromissos a instituição dispõe de activos líquidos de 20.700 milhões de euros e uma capacidade de emissão de obrigações de 3.500 milhões de euros.

Rubricas em crescimento devido à maior atividade comercial.

Apesar do difícil ambiente económico e de taxas de juro, todas as rubricas da conta de resultados crescem em comparação com o ano anterior, revelando significativo dinamismo comercial e boa gestão do negócio.

A margem de juros atingiu 1.247 milhões de euros, mais 6,8% do que em 2019, devido sobretudo aos maiores volumes de crédito concedido.

A margem bruta totaliza 1.709 milhões de euros, o que representa mais 3,6% do que há um ano. Mais de dois terços deste valor são provenientes da margem de juros. Por seu turno, o contributo das comissões para esta margem bruta é de 29%, ou seja, 496,8 milhões de euros, dos quais 157 milhões procedem do negócio de gestão de ativos e 98 milhões do negócio de transação de valores (mais 22% do que em 2019), num ano que foi particularmente positivo para esta atividade de intermediação. Esta margem foi impactada negativamente por custos regulatórios (contribuições para o Fundo de Garantia de Depósitos, Fundo Único de Resolução e outros) que continuam a subir, ascendendo no ano em análise a 115 milhões de euros, face a 95 milhões em 2019.

A margem de exploração antes de provisões termina o ano em 880,2 milhões de euros, mais 4,5% do que há um ano, com os custos operacionais a aumentarem 2,7%, devido sobretudo aos novos investimentos nos negócios adquiridos. O rácio de eficiência da atividade bancária com amortizações situa-se em 48,5%, melhorando ligeiramente em relação aos 48,9% do ano anterior.

Dados do Balanço.

Relativamente ao balanço do Bankinter, o total de ativos do Grupo ascende a 96.252,1 milhões de euros, mais 15% do que em 2019.

O crédito a clientes atingiu 64.384,3 milhões de euros, mais 6,6%. O crescimento do crédito em Espanha, sem considerar o EVO Banco, é de 6,1%, em comparação com a média do setor que é de 2,4%, de acordo com dados de novembro do Banco de Espanha.

Por sua vez, os recursos de clientes de retalho ascenderam a 65.009,9 milhões de euros, mais 12,5%. O crescimento destes recursos em Espanha, sem o EVO, foi de 13,3%, face à média do setor que foi de 8,4%, de acordo com dados de novembro.

Forte dinâmica comercial apesar do contexto.

Apesar das consequências decorrentes da pandemia e das medidas rigorosas implementadas para a combater, o Banco manteve a sua atividade comercial com clientes a bom ritmo, ultrapassando mesmo o volume de receitas do ano anterior. Dentro desta atividade, e principalmente durante os meses mais difíceis de confinamento, o Bankinter promoveu múltiplas iniciativas para mitigar o impacto da crise junto dos seus clientes, disponibilizando liquidez às famílias e empresas afetadas pela situação de excecionalidade económica.

Relativamente ao negócio de Empresas, no final de 2020 a carteira de crédito alcançou 28.400 milhões de euros, mais 11% do que há um ano. Considerando apenas a carteira em Espanha, o crescimento é de 11,5%, o que compara com os 8,1% de média do setor, de acordo com dados de novembro do Banco de Espanha. Para este crescimento, os empréstimos garantidos pelo Instituto de Crédito Oficial (ICO) tiveram um forte protagonismo, com 8.600 milhões de euros formalizados, dos quais 6.000 milhões foram já disponibilizados.

A carteira global do Banco de crédito a empresas, que é de 28.400 milhões de euros, está distribuída da seguinte forma: 10.600 milhões de euros correspondem a grandes empresas com uma faturação superior a 50 milhões de euros; a carteira de grandes PMEs (entre 5 e 50 milhões de faturação) totaliza 7.000 milhões de euros; e às pequenas e médias empresas, até 5 milhões de faturação, correspondem 5.200 milhões de euros. Em todas elas, o Bankinter mantém a morosidade controlada, situando-se este rácio em 7,4% nas pequenas e médias empresas e em 3,4% nas PMEs maiores.

A evolução do negócio de Banca Comercial, ou de particulares, foi igualmente boa, especialmente nos segmentos com maior património. A Banca Privada termina um exercício meritório com um património sob gestão de 42.800 milhões de euros, o que representa um crescimento de 6% relativamente a 2019, depois de captar 2.700 milhões de euros de património líquido novo. Quanto ao segmento imediatamente inferior, a Banca Personal, o crescimento foi de 9%, com um património líquido novo de 2.300 milhões de euros.

Esta dinâmica também pode ser observada na evolução da carteira hipotecária que, apesar da paralisação da atividade nos meses mais complicados da pandemia, cresceu em Espanha, e sem considerar o EVO, 1,7%, o que compara com a queda do setor de 1,5%, de acordo com dados de novembro do Banco de Espanha. A nova produção hipotecária realizada no ano totaliza 2.900 milhões de euros, apenas 3% inferior a 2019, tendo sido um exercício muito positivo. 56% das novas hipotecas são contratadas na modalidade taxa fixa e têm um loan to value de 60%.

Outro produto que também atrai novos clientes é a conta ordenado, uma das soluções mais apreciadas pelo mercado na sua categoria, que confirma o bom desempenho alcançado nos anos anteriores com um crescimento da carteira de 22%, totalizando 12.700 milhões de euros.

O crescimento do negócio com clientes foi também a tendência no Bankinter Portugal. A carteira de crédito cresceu 7%, alcançando 6.600 milhões de euros no fim do ano. Os recursos de clientes cresceram 6%, atingindo 4.800 milhões de euros; e os recursos geridos fora de balanço aumentaram 2%, totalizando 3.600 milhões de euros. Quanto às margens, observam-se crescimentos de dois dígitos: 10% na margem de juros e 13% na margem bruta, impulsionados pelo bom desempenho das comissões. Não obstante, o resultado antes de impostos, que é de 45 milhões de euros, decresce 31%, devido sobretudo ao facto de o banco ter deixado de libertar provisões este ano, ao contrário do que ocorria em anos anteriores, tendo começado a realizá-las.

Quanto ao negócio de Consumo, operado pelo Bankinter Consumer Finance em Espanha, Portugal e Irlanda, os seus números refletem as consequências da pandemia nas despesas das famílias, que foram reduzidas devido aos meses de confinamento, às limitações de mobilidade e à diminuição da atividade económica global. Ainda assim, a carteira de crédito mantém-se em valores semelhantes aos do ano anterior: 2.900 milhões de euros, com um rácio de morosidade controlado de 6,2%. Neste negócio, é de realçar a consolidação da Avantcard no mercado irlandês como um dos principais operadores de Consumo, que agora vê a sua atividade alargada ao mercado hipotecário através da nova marca Avant Money.

Por seu lado, durante 2020, o EVO Banco obteve reconhecimento tanto do mercado, com a obtenção de dois prémios “World Finance” para Melhor Banco Digital e para Melhor App Financeira de Espanha, como dos próprios clientes, com bons índices de adesão. Este banco digital aumentou o número de clientes totais (financeiros e de serviços) em 48% e está a registar um crescimento de 38% na carteira hipotecária, um produto ao qual o EVO tem dedicado boa parte das suas energias comerciais. Os recursos em balanço cresceram, por sua vez, 8,5%.

Quanto à Línea Directa Aseguradora, que este ano apresenta os seus resultados de forma desagregada da atividade bancária, enquanto aguarda o seu lançamento como entidade independente, alcança um resultado líquido de 135 milhões de euros, mais 26% do que no ano anterior, com um ROE de 35% e um rácio combinado de 83,4%. O rácio de solvabilidade II é de 276%.

O número de riscos seguros totaliza 3,22 milhões, mais 1,7%, com o volume de prémios emitidos a crescer ligeiramente para 899 milhões de euros.