Presidente do Bankinter destaca a robustez do modelo independente do banco e antecipa um 2026 marcado pelo impulso tecnológico
26/03/2026 - A presidente do Bankinter, María Dolores Dancausa, destacou hoje, na Assembleia Geral de Acionistas, que “a firme decisão de manter a independência” tem sido o maior acerto da estratégia do banco ao longo dos seus mais de 60 anos de história.
Neste sentido, e em contraposição a outras abordagens corporativas “que nem sempre obedecem a uma lógica de criação de valor”, a presidente sublinhou o carácter diferenciador do Bankinter e a sua aposta em crescer a partir de um modelo independente assente na inovação. “Enquanto outras instituições projetam o seu crescimento e o seu futuro através de processos de aquisição ou fusão, o Bankinter mantém-se fiel a um modelo de crescimento baseado na inovação”, afirmou.
De seguida, María Dolores Dancausa acrescentou que “esta abordagem permite-nos preservar uma cultura corporativa coesa, desenvolver planos de negócio próprios, sem dependências externas, e manter-nos à margem das complexidades — e dos riscos — inerentes à integração de organizações diversas e heterogéneas”. Em suma, um modelo independente, inovador e disciplinado que, segundo a presidente, explica a trajetória diferenciadora do banco.
Durante a sua intervenção, María Dolores Dancausa destacou também o excelente resultado do exercício, “o melhor da nossa história”, reflexo “da solidez da nossa estratégia e da sua execução”, e no qual voltam a sobressair “a regularidade e a consistência dos números”.
Resultados alcançados num contexto geopolítico incerto e instável, marcado pelos conflitos na Europa e no Médio Oriente, cujas consequências — especialmente as decorrentes deste último cenário — “poderiam impactar o mecanismo económico e social do mundo, particularmente das economias mais desenvolvidas”.
Reflexão social
Para além de rever os números do exercício, a presidente quis também destacar vários desafios que afetam diretamente o bem-estar dos cidadãos e que, na sua opinião, exigem um debate mais ambicioso: o acesso à habitação, as dificuldades em alcançar empregos estáveis e com rendimentos suficientes, e a necessidade de impulsionar a produtividade para reforçar a competitividade do país. “Não podemos ignorar estes desafios estruturais”, afirmou, “porque condicionam a vida de milhões de pessoas e devem fazer parte das prioridades de qualquer agenda de progresso”.
Na sua intervenção, María Dolores Dancausa alertou também para o risco crescente de divisão social e política, um fenómeno que, segundo referiu, “acrescenta uma dificuldade adicional ao desenvolvimento da atividade empresarial e ao progresso do país”. Perante este cenário, defendeu a importância de preservar a unidade e a colaboração: “A história demonstra que os grandes avanços só se constroem a partir da coesão e de um propósito partilhado”.
Visão de futuro
Apesar deste contexto complexo, a presidente do Bankinter transmitiu uma mensagem de confiança na capacidade do Bankinter para continuar a avançar: “As dificuldades não nos intimidam; enfrentamo-las com agilidade, com disciplina e com uma visão clara de onde podemos acrescentar mais valor”. Para 2026, antecipou um ano de crescimento marcado pela aceleração tecnológica e pelo uso intensivo de inteligência artificial nos processos do banco.
Por sua vez, a conselheira delegada do Bankinter, Gloria Ortiz, que iniciou a sua intervenção elogiando o compromisso e o esforço dos mais de 6.600 colaboradores da instituição, abordou a visão operacional e de execução que explica como o banco transformou esse enquadramento estratégico em resultados tangíveis. Em concreto, recordou que a instituição apresentou, em 2025, um resultado de 1.090 milhões de euros, 14,4% superior ao do exercício anterior, sendo o banco cotado espanhol que registou o maior crescimento.
Gloria Ortiz reforçou que “a solidez do modelo independente” se demonstra na capacidade do banco para crescer de forma sustentada, equilibrada e rentável em todas as suas linhas de negócio e geografias. E, de facto, esse resultado tem como elemento-chave, na opinião da conselheira delegada, “o dinamismo da atividade comercial”, com um volume de negócio com clientes que atingiu os 241.000 milhões de euros, mais 9% no ano.
Sobre este ponto, Gloria Ortiz sublinhou que “o importante não é apenas crescer, mas crescer bem”, destacando o equilíbrio na evolução do negócio, a diversificação das fontes de receitas e os excelentes rácios de atividade, de morosidade e de solvabilidade, confirmados nas mais recentes provas de esforço da EBA. Nesse exercício teórico, o Bankinter posicionou-se como o banco cotado mais resistente da zona euro num cenário hipotético de deterioração económica severa.
A conselheira delegada do banco destacou também a boa execução de várias decisões estratégicas concluídas durante o exercício. Entre elas, a integração do EVO Banco, exemplo do “trabalho sincronizado de dezenas de equipas e centenas de profissionais”; e a criação do Bankinter Irlanda, que representou, na prática, “construir um banco a partir do zero, com uma profunda transformação tecnológica, de processos e de talento”.
Gloria Ortiz referiu igualmente, entre as decisões-chave do ano, a implementação do programa “IA First”, orientado para integrar a inteligência artificial nos processos do banco, com o objetivo de melhorar a produtividade, a eficiência e a qualidade do serviço; bem como a criação de uma nova área específica de Pagamentos, integrada com Consumo e reforçada com a incorporação da Bankinter Consumer Finance, com o propósito de gerar sinergias e simplificar estruturas.
A conselheira delegada do Bankinter sublinhou ainda que o roteiro tecnológico, a digitalização do modelo operativo e a implementação de inteligência artificial nos processos‑chave são iniciativas que já estão a ter impacto na produtividade, na eficiência e na qualidade do serviço, colocando o banco numa posição diferenciadora para enfrentar 2026.
Aprovações da Assembleia Geral
A Assembleia Geral de Acionistas do Bankinter aprovou todos os pontos da ordem de trabalhos, entre os quais o pagamento, no próximo dia 2 de abril, de um dividendo complementar referente ao exercício de 2025, no valor de 0,1549 euros brutos por ação.
Desta forma, e tendo em conta os pagamentos já efetuados em junho e dezembro de 2025, o dividendo total bruto correspondente ao exercício de 2025 será de 0,6064 euros por ação, o que representa um aumento de 14,33% face ao ano anterior.
Isto traduz-se na distribuição de 545 milhões de euros pelos acionistas, o que equivale a 50% do resultado atribuído.